Os Contos de Lilith, por Kal Maxwell - Conto I: O pecado das carnes.
Conto I: O pecado das carnes.
Olá.
Sou Lilith, a sua anfitriã, em uma viagem por contos fantásticos, em que o terror está presente, seja de forma sutil ou explícita, com elementos de ficção científica ou não.
Hoje nossa história é sobre um especialista em controle de qualidade de alimentos.
Ele se chama Mélvio e foi chamado pela dona de um pequeno negócio, que pretende obter algum certificado de qualidade, para poder expandir seu empreendimento.
O produto é a carne de um animal raro, criado especialmente para o abate, com a autorização das devidas autoridades.
Que animal seria esse?
Leia e descubra...
O PECADO DAS CARNES.
Meu nome é Mélvio. Sou especialista em controle de qualidade na área da alimentação.
Após concluir minha graduação em Engenharia de Alimentos, consegui uma bolsa de estudos e fiz mestrado em Controle de Qualidade, na Indústria de Alimentícia.
Foram dez anos de Estados Unidos, entre os três anos de mestrado e trabalho, numa empresa de consultoria em controle de qualidade.
Voltei ao Brasil e hoje sou sócio de uma empresa na área.
São vinte e cinco anos de trabalho e enfrentei muitos desafios, em todo esse tempo.
Porém, o maior de todos foi resolver o caso de uma mulher, que chamarei de X., que queria elevar o padrão de qualidade de sua empresa, pois queria expandir seus negócios.
Quando voltei ao Brasil, trabalhei por algum tempo como empregado, na empresa de que hoje sou sócio e o sócio majoritário chamou-me a seu escritório e disse essas palavras:
- Mélvio, você já teve que lidar com algum cliente muito, mas muito difícil mesmo, lá na Norte América?
Durante segundos, que pareceram uma eternidade, olhei para seus olhos azuis e disse:
- Bem, eu trabalhava numa empresa já estabelecida no ramo, muito tradicional e organizada, que era uma das líderes de mercado na Costa Oeste. Os clientes geralmente já faziam parte de nossa carteira e eu não atuava na captação deles.
O Dr. Y. (ele é bem conhecido no segmento em que atuamos e, claro, meu nome não é Mélvio...) sorriu, vitorioso, como se tivesse provado que eu não era tão bom quanto meu currículo demonstrava.
- Olha, Mélvio, nós costumamos recompensar quem faz a diferença e, no seu caso, é bom adiantar que todos os outros dez consultores de que dispomos, não conseguiram fechar negócio com essa... senhora!
Y. disse isso, visivelmente irritado. A coisa realmente era séria. Muito séria.
Ele tinha a calvície parcial, nada ajudada por uma mistura de cabelos loiros (poucos), pretos e grisalhos.
Queria fazer alguma cirurgia ou tratamento para solucionar o problema, pois usar peruca ou rapar totalmente o que lhe restava de cabelo, não eram opções.
- Olha, Mélvio, se você conseguir fazer essa bendita assinar um contrato com a firma, pode ter certeza que seu esforço não será em vão. Não, mesmo!
Fiz que sim, com a cabeça. Estava receoso, mas uma eventual promoção ou algum outro benefício, estavam em meus planos, desde sempre.
Morar, estudar e trabalhar na América, ampliou meus horizontes, apesar de certas práticas americanas não serem compatíveis com o contexto brasileiro, nem daquela época e nem mesmo nos dias de hoje.
X morava numa cidade que chamarei de Cidade Pequena, por motivos que você saberá mais tarde.
O interior do Brasil tem muita riqueza, fato que é desconhecido por muitos que moram nas grandes cidades e capitais.
Há muitos problemas, obviamente, mas o setor do agro e o que dele deriva, ainda é o principal motor de nossa economia.
Como a cidade ficava longe de nossa sede, recebi passagens de avião, de ida e volta.
Cheguei ao aeroporto ainda bem descansado e fui de ônibus no trajeto final.
Tive sorte de viajar num bom ônibus, em que tudo era limpo e o ar condicionado funcionava!
Desembarquei na rodoviária e, para minha surpresa, uma senhora sorridente me esperava, com seu carro tipo perua (station wagon).
- Olá, meu querido. Tudo bem com você?
O sotaque era bem parecido com o curitibano, apesar do falar cantado, que eu aprecio muito, não ser exclusivo dessa bela cidade.
- Olá, Dona X. Tudo bem com a senhora?
Sorriu, dizendo:
- Dona? Senhora? Está me chamando de velha, por acaso?
Dessa vez, quem sorriu fui eu:
- Não, claro que não.
- Entremos no carro, então, disse ela, sempre com a mesma simpatia.
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Conversamos durante a quase meia hora que demoramos para chegar à casa de X, que ficava próxima a sua empresa.
Sim, caro leitor, ela parecia aquelas senhoras descendentes de russos, polacos ou ucranianos, que você encontra em Curitiba.
Cabelos brancos, que um dia forma loiros e olhos verdes, que lembravam um pouco, em seu formato, os dos povos do Extremo Oriente e a pele bem branca, que não se bronzeava e, sim, ficava queimada, quando o Sol mostrava-se um pouco mais forte.
100% simpatia, bem diferente do que me foi dito pelo meu patrão.
Descemos do carro e ela me ofereceu hospedagem, que eu prontamente recusei, já que meu voo de voltava estava marcado.
O convite para tomar um bom banho (numa bela banheira, bem ao estilo europeu), eu aceitei. Era verão e essa estação é um convite aos prazeres da água...
Troquei de roupa e comi uma comida que, apesar da suposta origem eslava de minha anfitriã, era aquela mesma de tantos outros lares brasileiros: a boa e velha comida caseira.
Ao final da refeição, ofereci-me para ajudar a lavar e enxugar os pratos, o que foi prontamente negado.
Depois, sentamo-nos num confortável sofá e ela começou a falar, sempre no melhor estilo senhora simpatia:
- Sabe porque eu não fechei negócio com os outros consultores?
Honestamente, eu não esperava, de modo algum, que ela perguntasse isso.
- Não, disse eu, tomando o máximo cuidado para não passar uma imagem negativa.
Agora, ela estava mais séria:
- Bem, eu pedi ao Dr. X que enviasse alguém com a mente mais aberta, pois aqueles outros provavelmente eram muito competentes, mas há ocasiões que exigem uma pessoa que aceite coisas inovadoras.
Agora eu não estava mais conversando com a Senhora Simpatia e, sim, com uma cliente potencialmente difícil.
- Eles viram o animal e ficaram meio receosos, por não conhecer a sua espécie...
Por enquanto, o que ela disse era exatamente o que meu patrão havia dito a mim.
- Meu jovem, por acaso você já viu um jacaré de perto?
- Sim, disse eu. Mas jamais comi um.
Ela sorriu.
- Exatamente. E quanto a rãs, cobras, pacas, javalis e capivaras?
Fiquei mais à vontade com a pergunta e, em especial, pela muito bem-vinda volta de seu sorriso encantador.
- De tudo que a senhora disse, eu só comi carne de javali, mas senti a abençoada percorrer todo o meu trato digestivo.
Rimos muito e ela levou-me para ver o animal, afinal de contas, minha viagem até lá era praticamente um bate-e-volta.
O bicho estava solto, num pasto, junto com outros de sua espécie.
Parecia um boi, mas era mais curto, mais baixo e menos largo. Apenas um pouco maior do que um ser humano médio.
- Está vendo só, meu querido? O que há de tão estranho nessa espécie?
Sempre sorrindo, a vovó eslava.
- Esse é o Bos leipzigensis, catalogado pela primeira vez na cidade de Leipzig, no antigo Sacro Imperio Romano Germânico, hoje parte da Alemanha. É simplesmente um bovino de pequeno porte, que nada tem de mais. E a carne dele é boa, hein?
E, disse sorrindo:
- Você comeu a carne dele e a elogiou, durante nossa refeição...
De fato, a carne era muito macia e claramente era carne vermelha, mas com algum exotismo, que a carne dos outros bovinos parece não ter. E, claro, havia ainda a receita secreta de família, da simpática senhora, que adicionava o sabor de temperos que mais pareciam comida dos deuses.
- Que tal? Vamos fazer negócio?
Fiquei espantado. Nem meu patrão achou que poderia ser tão fácil.
- Bem - disse eu, vou deixar com a senhora o um resumo de nosso projeto padrão para o controle de qualidade de carnes bovinas, para que possa estudá-lo e, claro, meu cartão de visita.
Ela demonstrou imensa satisfação. Maiores detalhes, seriam resolvidos em futuras ocasiões.
Recebi, além de seu cartão de visita, folhetos, fotos e outros materiais sobre a empresa e seus produtos, cuidadosamente acondicionados numa pasta.
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Meu patrão estourou uma garrafa de champanhe e comemorou comigo o feito.
Comecei a ter receio que essa nova proximidade com ele, causasse ciúmes, nos demais funcionários.
Porém, eles tinham carteiras bem lucrativas e não mostraram qualquer ressentimento a respeito de minha conquista.
- Boi de Leipzig? Eu nunca tinha ouvido falar nele. Conheço zebu, nelore e gir e sei que há bisões nos Estados Unidos e na Europa, mas só.
- E a carne é deliciosa! Vou ver se consigo trazer alguma para o senhor, da próxima vez.
Ele sorriu - e muito, mas ficou com receio do transporte, pois a carne é um alimento que exige boas condições para ser levada de um lugar para outro, ainda mais quando a distância é longa, como era o caso.
Dei a X quinze dias para examinar o material que lhe entreguei.
Os valores seriam estabelecidos entre ela e o Dr. Y, após o fim do prazo.
Do jeito que ele ficou feliz, deveria ser uma boa quantia, pelo menos em potencial.
Contudo, aconteceu algo inesperado, no final de semana, que seria o popular feriado emendado..
No feriado de sexta, o telefone tocou e eu atendi, prontamente.
- Alô, Mélvio? Aqui é o Tício, que faz o setor B. Lembra de mim?
Tício, desde o início, o mais receptivo de meus colegas de trabalho.
Sou católico não-praticante e ele era espírita kardecista.
Nas poucas vezes em que conversamos, ele disse coisas bem interessantes, bem diferentes das que eu aprendi nas missas, no Catecismo e na Crisma.
Respondi a ele:
- Tudo bem, Tício. Como vão as coisas?
Aparentemente preocupado, ele disse:
- Será que eu poderia ir à sua casa, se não for incômodo? Certas coisas, é melhor dizer pessoalmente.
Eu concordei e, vinte minutos depois, a campainha tocou.
Ele entrou.
Tício lembrava um pouco o Tom Cruise e isso lhe garantia a atenção de belas mulheres.
Isso sem esquecer que ele se cuidava, vestia-se bem, tinha um bom carro e uma boa remuneração, além de saber conversar muito bem.
Sentamos, tomamos um suco e ele logo disse:
- Você acredita em mediunidade e em paranormalidade?
Claro que fiquei espantado, afinal de contas, não estava esperando, de modo algum, uma pergunta dessas.
- Sim - respondi, com certo cuidado, mas só até certo ponto.
- Então, disse ele, claramente com o mesmo cuidado do que eu, a conta que você conseguiu, tem algo de estranho.
Um silêncio sepulcral se seguiu. Parecia que nenhum dos dois queria desagradar o outro e, decididamente, isso não ajuda a manter uma conversa.
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- O quê, de estranho, indaguei eu.
- Bem, tenho receio que você pense que eu quero melar seu negócio.
- Claro que não, disse eu. Por que eu pensaria isso?
A curiosidade era muito maior do que qualquer receio, que eu pudesse ter.
- Ela te deu a carne do tal boi para comer e mostrou os bichos pra você, certo?
Ao que parece, ele tinha passado por tudo o que eu passei, mas havia algo a mais. E era isso que eu queria saber.
- Sim.
- Então, você chegou a olhar bem nos olhos, de algum dos bois?
Agora a coisa estava ficando muito séria. Minha família jamais permitiu que tivéssemos qualquer tipo de animais domésticos, com a exceção de peixes e meu pai sempre dizia que deve-se evitar olhar diretamente nos olhos, qualquer bicho que seja, pois, em certos casos, essa olhada pode ser interpretada como um tipo de ameaça.
- Não. Meu pai sempre me orientou a não olhar direto nos olhos de nenhum animal, para não parecer ameaça.
Ele percebeu que teria que ir mais fundo, no que dizia.
- Bem, parece que se está olhando para... um ser humano!
E enfatizou bem a parte um ser humano!
- Olha, eu não quero te contradizer mas, e as fotos?
Ele sorriu. Coisa boa, não era.
- Você tomou o chazinho gostoso da bondosa velhinha?
Notei que ele realçou os dizeres sobre o chá e a bondade da X.
- Ela vai te oferecer o chá todas as vezes em que você for lá e vai dizer que ficará muito chateada, se você não tomar.
Um momento. Ele foi à casa dela mais de uma vez?
- Sim, se você pensou que eu fui lá mais de uma vez, está certíssimo.
Meu patrão não havia dito isso.
- Na primeira vez, eu fui só para um contato inicial, como você provavelmente foi.
Eu fiquei quieto, prestando a máxima atenção possível.
- Na segunda, apresentei um projeto mais detalhado e ela pareceu concordar. Sorrisos, muita simpatia etc.
- Na terceira, quando eu ia começar realmente a põr a mão na massa, eu não tomei o chá, porque meu estômago não estava lá muito bom e também não comi o Boi de Leipzig.
Fiquei preocupado com esse relato, pois eu tinha medo de perder o emprego, se o contrato não fosse fechado.
- Como eu sou médium e paranormal, as coisas foram diferentes. Bem diferentes.
O telefone tocou. Torci para que não fosse ela.
Era.
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- Olá, querido. Você está sozinho?
Eu falei, apenas com os lábios, sem som algum, a Tício, que era ela e que ela estava perguntando se eu estava sozinho.
Tício foi para outro aposento, que eu lhe indiquei, fechando a porta com cuidado, para ela não ouvir.
- Claro. Em que posso ajudá-la?
Aparentemente sem graça, ela falou:
- Olhe, o que eu te disse não pode sair daqui, tem que ficar somente entre nós, O.K.?
- Sim, disse eu.
- O Tício veio aqui e agiu de uma forma estranha, na terceira vez em que esteve em minha casa.
Claro! Não teve o chazinho, para neutralizar os poderes paranormais dele!
- Na minha cultura, é falta de educação não aceitar o que é oferecido. Se ele não podia tomar o chá e comer, por orientação médica, era só tomar água, ao menos, porque água não faz mal a ninguém, não é mesmo?
Não quis tomar nem água? O que é isso?
- Talvez estivesse com algum problema de saúde, mesmo, pois agiu de uma forma muito estranha.
Eu só a escutava, com muita, mas muita mesmo, atenção.
- E não voltou depois, alegando que não tinha conseguido fechar o negócio!
Dessa vez, ela ficou alterada. Algo não batia, nas duas versões da história.
- Desculpe, eu perdi a calma e gritei.
- O que é isso, disse eu, a senhora não precisa pedir desculpas.
- Sempre um gentleman, disse ela. Um verdadeiro cavalheiro...
- Ligo depois, disse ela. Não quero incomodá-lo, no seu dia de descanso.
- Fique à vontade para ligar, quando precisar.
- Muito obrigado. Até logo.
- Até logo, disse eu.
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Chamei o Tício, para saber a verdade, pois achava que ele tinha mentido para mim.
- Era ela! Eu devia ter desconfiado que ela ia saber, quando eu tentasse te alertar.
Sentamos e ele continuou:
- Um amigo meu de infância foi à Iugoslávia, para estudar as religiões ancestrais daquele país.
Dizem que o bom ouvinte é bem-vindo, em toda conversa, interagindo apenas o necessário e, claro, mostrando interesse, enquanto escuta e analisa tudo o que ouve.
- Lá o povo era pagão, antes de chegarem os missionários cristãos, tanto católicos quanto ortodoxos.
A conversa havia tomado um rumo inesperado. E, por sinal, muito agradável de ouvir.
- E o negócio era da pesada, muito pior do que certas coisas que há por aí.
Eu sabia ao que ele se referia. Bem antes do politicamente correto, ele já respeitava as outras formas de crença. Jamais o ouvi dizer termos como: macumba, carola ou crente fanático, só para citar alguns exemplos.
- E a família dessa bondosa senhora era uma das principais do país, em termos de feitiçaria. é, feitiçaria. Não costumo criticar nenhuma religião, mas essa aí não tinha nada de religião. Era coisa do capeta, mesmo.
Não era - e ainda não sou, especialista em coisas sobrenaturais, mas sabia que havia bruxas e bruxos na Europa, que forma queimados vivos, pela Inquisição. Em muitos casos, até pessoas que não tinham nada a ver com isso, morreram, nas fogueiras da Idade Média.
- E eles eram tão temidos, que ninguém, nem a Igreja tinha coragem de enfrentar essa família.
O que ele disse, fazia sentido.
- Um dia, porém, a coisa deu errado. Em pleno regime comunista, a nossa velhinha fez uma previsão errada, o governo tomou uma medida totalmente equivocada e ela teve que fugir para o Brasil, com a família, mudando-se para Curitiba.
Honestamente, eu não queria que aquela história não acabasse nunca!
- O governo iugoslavo, por pouco não caiu. Se a liderança não fosse muito forte e popular, teriam pendurado a cabeça do presidente ou sei lá como se chamava, num poste, depois de um belo linchamento!
Daí o sotaque curitibano, provavelmente para esconder ainda melhor esse passado tenebroso.
- E eles mudaram de nome, sabia? E o governo federal daqui ajudou, em troca dos serviços do além, desse pessoal!
De repente, ele começou a se sentir mal, desmaiou e caiu no meu tapete, antes que eu pudesse fazer qualquer coisa.
Foi muito rápido.
Como eu jamais aprendi a prestar primeiros socorros, liguei para o serviço de ambulâncias e eles o levaram ao hospital.
Infelizmente, ele não resistiu e morreu.
Sim, eu pensei nisso mesmo em que você está pensando, agora.
Foi ela, a feiticeira!
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Como a família do Tício não morava mesma cidade em que eu, e que, por sinal, era aquela em que se localizava a nossa firma, ele foi velado e enterrado em outra, sendo que o vice-presidente da empresa a representou, nessa ocasião.
Se eu já estava preocupado com a situação, minha preocupação cresceu ainda mais, com essa estranha morte do Tício.
A firma fechou por três dias, por luto.
Na volta, o chefe me chamou, uma vez mais, a seu escritório.
- Olha, Tício, pra mim, essa velha é macumbeira. Minha mulher é da mesa branca e ela teve um sonho terrível, com direito a bruxaria, gente comendo carne humana e, acredite se quiser, vendendo carne de gente, como se fosse carne de vaca!!!
Não, de macumba (que não se chama assim, por sinal) isso não tinha nada. Era magia negra, de origem europeia, com sacrifícios humanos, pessoas comendo essa carne e vá saber o que mais, como se isso já não fosse suficiente.
- Se você não quiser mais essa conta, cai fora disso, que eu entendo. Não quero mais nada com essa bruxa velha, com cara de lobo em pele de cordeiro! Eu, hein?
E bateu três vezes na mesa. Eu fiz o mesmo, por via das dúvidas.
Tudo voltou ao normal. Bem, quase normal, pois eu fiquei completamente traumatizado, pelo fato de ter comido... carne humana!
Atualmente, sou lacto-ovo-vegetariano, pois não é fácil obter proteínas completas, sem os lácteos e os ovos na dieta.
Carne, nunca mais.
Nunca mais, mesmo.
Como vou saber se ela não pertence a um Boi de Leipzig?
Por via das dúvidas...
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Boa história, não?
Com a sua guia Lilith, você tem o melhor do terror; mas terror raiz! Nada de lobisomens de peito depilado ou de vampiros luminosos...
Só horror de primeira qualidade, bem melhor do que as porcarias que a cultura pop/nerd teima em produzir.
Até a próxima e...
TENHA ÓTIMOS PESADELOS!
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